Bíblia & Educação
Pare e Pense: reflexões
Neste artigo:
'A noite vai alta, o meu filho nem veio
jantar...'
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A NOITE VAI
ALTA, O MEU FILHO NEM VEIO JANTAR…
A
noite vai alta, o meu filho nem veio jantar apenas um
simples telefonema: ‘Mãe não vou jantar, não esperes por mim devo vir
tarde.’
Apenas isto, uma simples frase…
A hora do jantar passa, a programação da TV termina, parece que
uma longa noite começa. Tento dormir.
Inútil, os pensamentos correm, onde estará ele? Será que
está a fazer alguma coisa de errado, será que está a beber, fumar,
drogar-se, será…será…. Começo a sentir-me angustiada. É um nó, parece que
está aqui na garganta. As minhas colegas do serviço dizem: ‘Eles já são uns
jovens, têm de ter o seu espaço, é assim mesmo, têm de aprender com os
erros.’
A noite parece que vai crescendo dentro de mim, três da manhã…
não há forma de regressar. Começo a pensar: será que sou antiquada? Será que
as outras mães não passam já por isto e apenas eu sou uma mãe ‘galinha’
sufocando o seu filho? Vem-me um sentimento de culpa, devo tê-lo educado
mal, não... devo ser é antiquada, não sei, já nem me interessa, apenas quero
que chegue e ver que está bem.
Estou a sentir-me irritada, quero dormir e não consigo. Quando
chegar vai-me ouvir, sim desta vez, tem de me ouvir, não posso continuar
outras noites assim, afinal preciso de trabalhar amanhã e ainda por cima
estou cheia de serviço.
ÓPTIMO ATÉ QUE ENFIM! Olho no relógio, são 4 da manhã, como é
que me pode ter feito uma coisa dessas! Oiço a chave na porta, abre devagar,
pensa que estou a dormir.
João caminha muito devagar para o quarto, não acende a luz para
não perturbar nem o gato.
Acendo a luz e entro a ‘matar’, não me consigo controlar a voz
já está alta:
- Só agora? Isto é que são horas? Pensas que estás a onde? Isto
não é um hotel?
João pensa, está em silêncio: ‘Porque não fiquei lá? Estava tão
curtido, estava na esperança que desta vez estivesse a dormir, estou farto.
Trata-me como uma criança, ela é que manda e pronto final nem pensa no que
eu sinto.’
Aos poucos vamos perdendo os nossos filhos, porque simplesmente
ouvimos dizer e ensinamos ‘um homem não chora’. O problema é o que está por
detrás desta simples frase: mostrar os sentimentos é um sinal de fraqueza, o
homem não se quer fraco e já agora nem a mulher.
E se simplesmente a história acabasse assim?
João regressa. A mãe cansada, emocionalmente esgotada,
entra no quarto, acende a luz, puxa de uma cadeira e fala, na sua voz há
tristeza, medo e ansiedade.
- Filho desculpa, nem sei como te dizer. Tu és muito
importante para mim, nem consigo imaginar a minha vida se te perder. Quando
sais à noite eu passo horas de angústia, fico cheia de medo que te envolvas
em alguma coisa perigosa. Eu simplesmente amo-te tanto que quando estás em
ambientes que te possam hoje ou mais tarde trazer perigo à tua vida, eu fico
tremendamente cheia de medo e crio ansiedade.
Não lhe vou dizer que isso me tira o sono, porque o vai
fazer sentir-se culpado e revoltado de uma coisa em que não se sente
responsável: ‘Que culpa tenho eu que não consiga dormir? Se confiasse mais
em mim…’
- Sabes filho, continuo, eu não compreendo o que te leva
a ir a esses sítios o que encontras lá que te atraí tanto. Tenta contar-me.
Talvez se eu compreender nos possamos ajudar mutuamente. Talvez se eu souber
o que se passa aí nesses sítios eu me possa acalmar, talvez se eu souber …
- Mãe deixa-me te explicar…