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"Ser Pastor é divertido." (?)
Já pensou, e se
você fosse o pastor?
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LÁ VEM O PASTOR!
Diz
o líder dos adolescentes, no acampamento, ao não conseguir controlar o grupo.
Debandada geral, pois o Pastor é pintado por aqueles que não têm ou não sabem
exercer autoridade, como o policial que impõe respeito. Claro que os
adolescentes que convivem com o Pastor, como amigo, sabem que o problema é do
líder, jamais da carranca do Pastor.
“Vou contar ao Pastor”, diz o pai que não consegue orientar o filho. A ausência
de firmeza precisa de suporte externo. Nada melhor do que a figura do Pastor. Os
filhos que vão ao gabinete em busca de apetitosas balas, sabem que papai não tem
autoridade. Continuam amando o Pastor, apesar das ameaças dos pais.
“Chama o Pastor”, exclama a ovelha ao se defrontar com a morte, ou ao ver um
querido partindo para o desconhecido. Ela sabe que o Pastor não tem solução para
a morte, mas pode orar e recitar o Salmo do Pastor amado, tornando mais suave a
travessia. Assim todos aguardam com ansiedade a palavra o Pastor no culto
fúnebre. Pastor “entende” de céu e de esperança após esta vida. Embora nem
sempre o Pastor tenha certeza que o morto era salvo. E assim o Pastor precisa
vencer a tentação de expor o que sabe sobre o defunto que virou gente boa após a
morte. Sem exaltar o morto, transforma sua mensagem em convite aos vivos para
que aceitem a Cristo, sem citar, é claro, a “experiência” salvífica do falecido.
Nasceu mais um bebê ou vai nascer e há preocupações a envolver a futura mamãe.
Lá está o Pastor orando antes da entrada no bloco cirúrgico. A criança tão
aguardada, é prematura, vai à incubadora. Mamãe chora. Há o perigo de depressão
após parto. O Pastor chega com mensagem de esperança. Deus é soberano e tudo vai
dar certo. As lágrimas são estancadas. Certamente o Pastor “entende” da
soberania Divina. Podemos confiar. Quarenta dias após, ao apresentar o bebê, o
Pastor relembra, para o rebanho, como Deus agiu na vida daqueles pais. Os avós
choram. O coro canta “bem antes de ser nosso, a ti já pertencia, e...” (HCC
610). O coração do Pastor exulta de alegria com as alegrias de suas
ovelhas. “O seu sermão abençoou-me” diz a ovelha ao despedir-se do
Pastor. Agradeça a Deus. O sermão não era “meu”. Foi o Espírito Santo,
conhecedor das carências de cada um, que orientou o pregador ao prepará-lo. São
as recompensas do ministério. Vaso de barro nas mãos do oleiro, (II Co 4: 7),
para que a excelência seja de Deus, não do Pastor. As muitas horas de pesquisas.
Meditação. Oração. Dúvidas e luta íntima com o Senhor na busca do alimento para
o rebanho. O Pastor sabe que não vai agradar a todos, mas tem a consciência
tranqüila que fez o melhor. Isto gera alegria no coração do Pastor.
“O Pastor só prega contra mim”, reclama o ouvinte e às vezes a ovelha em pecado.
Foi direto. “Ele sabia o que estava acontecendo comigo e usou o púlpito para me
atacar”. “Tenho raiva do Pastor”. Pobre Pastor, se ao menos soubesse quem
estaria no auditório para ouví-lo, poderia preparar mensagens individualizadas.
Como não sabe, resta-lhe a alcunha de covarde, que usa o púlpito para atacar. É
divertido ser Pastor. Mais divertido ainda é a concepção que as pessoas fazem do
Pastor.
O telefone toca. O Pastor atende. São 14h, 10h, 8h, 21h ou outra hora qualquer.
A ovelha pergunta “Acordei o Senhor?” Para tais ovelhas o Pastor está sempre
dormindo. Não tem direito a cansaço. Ao descanso ou coisa que o valha. Afinal
ser Pastor é ter boa vida. Pastor não trabalha. Apenas prega e pregação não é
trabalho. Ser Pastor é divertido, em alguns momentos. Noutros é preciso
desenvolver paciência para não responder às indiretas.
Há ovelhas que não esperam. Interrompem o atendimento que o Pastor dá ao
visitante à porta da Igreja, interessado em saber mais sobre a mensagem ouvida.
Outras ficam olhando pelo maldito vidro que existe na porta do gabinete
pastoral. Ai do Pastor se remover o tal vidro bisbilhoteiro! Ser Pastor é
divertido. Como as pessoas pensam mal a respeito do outro! Caso o consulente
esteja chorando, concluem que está levando uma “bronca” do Pastor. Ninguém
conclui que a carga é pesada, até mesmo no compartilhar. Muitas ovelhas não
entendem porque o Pastor mantém sobre a mesa uma caixa de lenços de papel.
Quando a vida os abriga a usá-los, concluem que o Pastor não era louco. Ser
Pastor é divertido.
As ovelhas adoecem. O Pastor não! As ovelhas se irritam. O Pastor não. As
ovelhas têm problemas. O Pastor não. O dinheiro das ovelhas é sempre curto. O do
Pastor, embora menor, tem durabilidade eterna. As ovelhas podem chegar atrasadas
ao culto. O Pastor não. As ovelhas podem tirar férias da Igreja. O Pastor não.
As ovelhas decidem boicotar o trabalho da Igreja. O Pastor é obrigado a encarar
os visitantes tentando justificar os bancos vazios numa reunião especial. Ser
Pastor é divertido. Dolorido. As ovelhas brigam entre si e se afastam da Igreja.
O Pastor vai procurá-las e ouve os desaforos que deviam ser dito a outros. E
ainda ora suplicando que Deus abençoe a ovelha transviada e revoltada. É
divertido ser Pastor. Mais divertido ainda porque a vocação não é humana. É
Divina. Por isso só resta ao Pastor questionar aquele que o chamou. Como Deus
não dá explicações dos seus atos, resta ao Pastor alegrar-se com o seu chamado.
Autor: Pastor Júlio O. Sanches
(Recebido via Internet)